Como usar a curva ABC para a gestão de estoque

curva ABC

Entenda o que é a curva ABC, como aplicá-la e de que maneira ela pode ser útil para o seu negócio.

Você já ouviu falar da curva ABC? Então saiba que lidar bem com o estoque é algo que pode ser compreendido entre o que há de mais estratégico dentro de uma empresa. O fato é que com uma boa reposição, a companhia tem como manter um fluxo de atividades de acordo com suas expectativas para entregar a melhor solução possível para seus clientes.

Entretanto, é preciso ir além de entender a importância do estoque na lógica da organização, considerando também as melhores estratégias para otimizar os processos.

E onde a curva ABC entra nessa história? Bem, você tem considerado alguma solução específica para lidar com essa parte tão importante do seu empreendimento? Caso a resposta seja negativa, tome cuidado: esta pode sim ser a origem de uma série de problemas que em última instância podem comprometer o caixa da companhia. É nesse sentido que vale a pena considerar a curva ABC na gestão de estoque.

O conceito de curva ABC

Primeiro, é preciso que você tenha em mente que a curva ABC nada mais é do que um método desenvolvido para categorizar o estoque. Com ela, a ideia é que fiquem bem claros os produtos que têm maior importância para a organização.

O objetivo é dar à gestão possibilidades para entender melhor como funciona o seu empreendimento em função daquilo que de mais valor ele tem, considerando os resultados alcançados. Assim é possível definir estratégias mais eficazes e controlar os processos adequadamente.

Em resumo, com a curva ABC é possível classificar os itens em estoque de acordo com diferentes variáveis, dependendo do perfil e, é claro, dos objetivos da empresa.

Leia também: Dicas para fazer o endereçamento de estoque na sua empresa.

Benefícios da curva ABC no estoque

Imagine que a sua empresa não tenha alcançado números interessantes no semestre passado e por conta disso precise fazer escolhas em relação ao estoque, como a definição da quantidade dos produtos que serão comprados no próximo ciclo. Não é mais interessante fazer isso em função daquilo que mais importa para ela sob o ponto de vista estratégico?

É por isso que a categorização dos produtos seguindo a demanda ou a relevância de mercado, permite que o controle seja feito de maneira mais criteriosa pelos responsáveis pela gestão. A ideia é tornar o controle mais direcionado, de forma que os produtos com maior demanda pelo público ou os que apresentam maior participação no faturamento da companhia tenham o devido protagonismo dentro do sistema de reposição.

É basicamente isso o que a curva ABC faz de melhor: em um primeiro momento, ela permite a diminuição de gastos, evitando a compra de produtos com menor rotatividade, e em um segundo momento, ela é fundamental para que a empresa gere lucro, podendo até viabilizar ações promocionais capazes de aumentar as vendas e inibir problemas como a estagnação de produtos no estoque.

Perceba que, fundamentalmente, a grande importância da curva ABC é permitir que a empresa tenha uma ação mais estratégica em relação a esse elemento de sua cadeia de processos. Considerando a aplicação desse modelo não somente em momentos de crise, mas também na hora de planejar as ações da companhia regularmente, a curva ABC pode ser uma importante aliada no crescimento do negócio em médio e longo prazo.

Como classificar os itens

Por mais que essa solução possa realmente contribuir com o ganho de qualidade nos processos empresariais, ela pode ser criada de maneira extremamente simples. Existem sistemas que apresentam essa funcionalidade com bastante precisão, atuando como verdadeiros diferencias para as companhias, mas no geral, você pode criar a sua curva ABC usando papel e caneta ou planilhas, o que permite certa economia para uma etapa inicial do seu empreendimento.

O primeiro passo é listar todos os produtos que a organização têm à sua disposição, definindo o valor por unidade, quantidade vendida e o valor total, ou seja, a multiplicação da quantidade pelo valor unitário.

Você pode considerar o período de uma semana, um mês, um trimestre ou um ano, de acordo com o que for mais interessante para a sua empresa e o que precisar constar no seu planejamento estratégico.

Em seguida, basta calcular a participação de cada produto nas suas vendas, dividindo o total por produto pelo total de vendas da empresa. Feito isso, organize a planilha em função do valor total do produto e some os percentuais de cada produto do total acumulado anterior para chegar à porcentagem acumulada.

A proposta é que você tenha como atribuir importância para cada unidade. Dessa forma, os produtos classificados como A serão aqueles responsáveis por até 80% das vendas, os B, 15% e os C, 5%.

Entendendo a curva A

Perceba que este deve ser o espaço dedicado aqueles produtos de maior relevância para o seu negócio.

Em geral, eles correspondem a muito mais do que a metade daquilo que você tem como recursos, movimentando por volta de 80% dos produtos. A ideia é que você identifique 20% dos produtos que, juntos, correspondam a cerca de 80% do total das vendas.

Naturalmente, esses serão os itens que exigirão maior atenção na administração do seu estoque, até porque serão eles os maiores responsáveis pelo sucesso do seu negócio.

Assim, imagine que uma empresa conta com mil produtos cadastrados que geram cerca de 50 mil Reais todos os meses. Desses, 20%, ou seja, cerca de 200 produtos devem corresponder a 80% da venda total, o que em Reais seria 40 mil gerados para a receita.

Vale a pena ter maior atenção com esses produtos, não acha? Quando comparamos empresas que dão prioridade para ativos que mais ajudam a movimentar o seu negócio com empresas que não têm esse tipo de abordagem, percebemos que os efeitos dessa política são sentidos no processo empresarial como um todo, dando às primeiras, condições para atuar com protagonismo no mercado.

Entendendo a curva B

Seguindo essa lógica de atribuição de importância, entram os produtos da curva B, que são aqueles com importância média dentro dessa escala criada pela empresa. Neste caso, é necessário preencher a curva com 30% dos itens que, somados, correspondem a 15% do total do faturamento.

Assim, pensando na empresa do exemplo anterior, se ela vende 50 mil Reais por mês com mil produtos, logo, ela terá 300 itens em sua curva B, correspondendo a um valor mensal de 7.500 Reais.

Esses produtos têm importância relativa dentro da empresa, mas isso não quer dizer que devam ser descartados. Como veremos mais adiante, eles poderão fazer toda a diferença dentro de uma estratégia complementar de vendas. Entretanto, do ponto de vista da organização o estoque, eles ficam em um segundo patamar dentro de uma escala de importância para a organização.

Entendendo a curva C

Por fim, vem a curva C. Esses produtos, de fato, apresentam menor importância para a companhia sob o ponto de vista estratégico quando comparados com os demais produtos.

Eles precisam ser entendidos como aqueles que não trarão tanto prejuízo para a companhia caso estejam em falta no estoque. Tenha muito cuidado na definição desses itens, uma vez que se você errar poderá comprometer a estrutura do negócio deixando de lado produtos que podem ser essenciais para a sua estratégia.

Para se chegar aos produtos da curva C, precisamos selecionar a metade do valor total de itens que, somados, vão corresponder a 5% do faturamento total da empresa. Assim, no nosso exemplo, essa curva contaria com 500 produtos que, somados, trariam 2.500 Reais em vendas mensais para a organização.

Assista ao vídeo abaixo e saiba como utilizar a Curva ABC para gestão de estoque e comercial!

A origem da curva ABC

Esse é um conceito bastante difundido entre os profissionais de diferentes áreas. A curva ABC na realidade é uma reinterpretação da conhecida análise de Pareto, muito útil no planejamento de processos.

A regra 80/20 é adotada em uma série de procedimentos empresariais, indo além do controle de estoque. Ela parte do pressuposto de que 80% dos problemas surgem em consequência de 20% de fatores. Essa ideia, apresentada em um estudo desenvolvido por Joseph Moses Juran, tem como base os estudos de Vilfredo Pareto, economista italiano que identificou que 80% da riqueza de seu país era concentrada por cerca de 20% das pessoas.

Existem diferentes usos dessa regra, mas em geral ela é mais comum no que diz respeito a processos empresariais, pois permite um controle maior e mais rigoroso desses processos principalmente quando se trata de empresas maiores, às quais já não é mais possível fazer a organização de maneira simplista como ocorre em companhias menores.

Isso significa que a curva de experiência ABC não deve ser tomada como uma regra exata, uma vez que é natural que os resultados variem de acordo com a realidade de cada empresa, o que pode ser considerado quando a gestão fizer as análises. Ainda assim, a realidade é que, identificando quais são os produtos que mais resultado trazem para a sua empresa, o seu trabalho com eles se torna mais estratégico porque permite que uma simples mudança de política no estoque interfira nos diversos processos que fazem parte do dia a dia da organização.

Exemplos de cálculos

Entendendo que a curva ABC expressa graficamente uma estatística capaz de catalogar os materiais de acordo com sua importância para a estratégia do negócio, você passa a ter como repensar sua relação com os insumos em estoque.

Você pode fazer esse cálculo utilizando planilhas. Neste caso, um jeito simples de se trabalhar com a curva ABC é preencher 3 colunas da seguinte maneira:

  • a primeira, com a identificação do produto;

  • a segunda, com a quantidade;

  • a terceira, com o valor unitário.

Em seguida, você só precisa calcular o valor de cada produto multiplicando a quantidade pelo valor unitário.

O próximo passo é encontrar o valor total acumulado dos produtos. Feito isso, organize os produtos seguindo a ordem decrescente em relação ao valor total. Calcule as porcentagens referentes a cada produto, além da porcentagem acumulada. Consequentemente você terá o gráfico da curva ABC.

Divida os itens de acordo com suas classes, ou seja, A, B e C e pronto.

No geral, não há segredo na análise da curva ABC. Basta você considerar os itens presentes no estoque da sua empresa e fazer os cálculos seguindo o modelo apresentado acima. Vale ressaltar que cada empresa tem sua realidade em termos de unidades, produtos e valores.

Experimente fazer a análise de acordo com a realidade do seu empreendimento e faça exercícios imaginando negócios diferentes. O importante é que você assimile esses conceitos e tenha como fazer da curva ABC um elemento responsável pela devida organização dos processos na sua política de gestão de estoque.

A importância da curva ABC no planejamento empresarial

Sabemos que estoque é custo, portanto, torna-se fundamental que a gestão tenha como controlar as despesas referentes a esse setor para que as mercadorias paradas não representem dinheiro parado. E isso só pode ser feito se houver uma política bastante eficiente de gestão de estoque.

O ideal é que a empresa agilize os processos de modo que o nível de estoque esteja sempre de acordo com a rotatividade dos produtos. Para que isso seja feito, considerando questões como sazonalidades e eventualidades de todo o tipo, o mais importante é que exista um planejamento bastante rigoroso desse setor do negócio.

Mesmo quando a empresa conta com sistemas avançados de automação de processos, na base deles estão soluções como a curva ABC, responsável pelo melhor uso de dados e consequente geração de informações precisas para o negócio.

É preciso manter o estoque alinhado com a demanda, o que pode ser conseguido com a curva ABC porque ela trata de maneira desigual, itens que têm importância desigual dentro da estratégia da empresa. Isso quer dizer que aquilo que se considera como sendo o mais importante para ela estará sempre à disposição evitando maiores prejuízos para a sequência das atividades.

Nessa lógica, podemos considerar também como sendo de menor importância aqueles insumos que são mais fáceis de serem adquiridos no mercado, pensando em tornar mais ágil a reposição dos produtos.

Além disso, um benefício da curva ABC é dar à gestão, condições para que ela adapte sua cadeia de suprimentos assegurando a reposição de unidade no timing certo. Isso é muito útil quando pensamos na logística do empreendimento, pois garante maior agilidade nas entregas.

Outro ponto a ser destacado diz respeito à questão financeira. Com a curva ABC, as compras são mais precisas, o que é especialmente importante quando a companhia trabalha com matéria-prima perecível. Dessa forma, a empresa tem como negociar melhor suas matérias-primas identificadas na condição de mais críticas, empregar seu capital de maneira realmente estratégica e, consequentemente, alcançar resultados financeiros melhores.

Por fim, com uma boa gestão do estoque e um controle financeiro eficiente, a empresa tem como produzir muito mais e fazer entregas com a qualidade que costuma fidelizar clientes no mercado.

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O que fazer com os resultados da análise

Ter dados não necessariamente quer dizer que o responsável saberá fazer o melhor uso deles. De fato, o que diferencia um gestor qualificado dos demais é a sua capacidade de tomar decisões.

Assim, a curva ABC surge como uma ferramenta muito útil porque ela permite que a empresa qualifique seu mix de produtos a partir de um entendimento aprofundado de suas peças de reposição.

Como os itens A são aqueles que acabam sendo mais procurados, a ideia é que eles sempre estejam disponíveis. Para tanto, cabe à gestão fazer o monitoramento recorrente da saída desses produtos para ter como planejar a reposição com uma antecedência segura. Dentro desse raciocínio, deve ser considerada a verba necessária.

Jamais permita que o produto que você mais vende esteja em falta no seu negócio. Entre outros problemas, isso pode afetar o desempenho dos demais.

Toda essa atenção a produtos mais importantes não quer dizer que você deva deixar de lado os menos importantes. A realidade é que eles podem ser úteis na busca por uma maior rentabilidade para o negócio e também para dar maior corpo ao tíquete médio do cliente.

Pense em uma drogaria que tem a fralda como produto A, mas que além disso, oferece produtos com menos saída para acompanhar essa venda certa. Assim, produtos como chupetas, mamadeiras, entre outros, são itens importantes classificados como B ou até C, mas que podem ser extremamente úteis dentro da sua estratégia. Pense neles como complemento da sua venda.

É válido considerar a formação do mix de produtos a partir de um "carro-chefe" que precisa mais da sua atenção. Com a curva ABC é possível, inclusive, que o gestor descubra que precisa mudar radicalmente o seu mix de produtos. Tomando o mesmo exemplo, imagine uma farmácia que não faz essa relação entre produtos complementares e assim acaba deixando de faturar mais com vendas que fariam todo o sentido.

FIFO, FEFO, LIFO: como usar no controle de estoque?

Fazendo a curva ABC, a gestão tem como sair da análise baseada apenas no feeling dos empreendedores e partir para algo mais racional, criando meios para alcançar resultados mais interessantes.

Enfim, entender como usar a curva ABC para a gestão de estoque é fundamental para que você tenha como controlar melhor os processos e tornar a reposição de itens um diferencial para o seu negócio.

OnBlox é uma empresa de desenvolvimento de softwares para gerenciamento logístico.

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